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Quarta-feira, Março 21, 2007


Perdão, pretendo voltar. Sem querer fazer promessas, já fazendo.

Final de semana.

João Eduardo l 3:16 AM l

Terça-feira, Janeiro 16, 2007


Velhas desculpas..

Sim, o blog está parado há vários dias. Óbvio que foi tempo suficiente para que acontecessem várias coisas, que eu devo relatar em posts por aqui. Como estão as férias de vocês? Eu estou indo para o pré-vestibular todos os dias à noite. À tarde eu me matenho distante do computador e pregado nos livros, mesmo que não esteja verdadeiramente estudando, senão meus pais reclamam. E de manhã.. de manhã eu durmo. Aí o tempo anda escasso. Mas não se preocupem, o blog não acabou, só precisei dar uma pausa.

Comunidade no Orkut.

João Eduardo l 3:27 AM l

Sexta-feira, Dezembro 29, 2006


A paixão quer sangue e corações arruinados. E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago. Legião Urbana - Longe do meu lado

É tanta coisa acontecendo, que às vezes falta tempo pra escrever. Mas o que tem acontecido será narrado aqui, é só esperar. Um pouco. Uns dias.
Feliz ano velho para aqueles que podem olhar pra 2006 e dizer: "Esse foi um bom ano!".




Quinta-feira, Dezembro 21, 2006


Como um anjo caído, fiz questão de esquecer, que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira. Legião Urbana - Quase sem querer



Acordei pra almoçar, mas logo parti para minha sesta. E olha que minha sesta, em tempos de férias, pode durar mais de 5 horas. No ápice do sono, eis que o telefone toca. Já estava pensando em xingar o safado que ousava atrapalhar meu sono, mas vi que era o Fred.

- João Eduardo!
- Fala, Fred!
- Como vai?
- Sonolento! E você?
- Isso é hora de dormir, cara? Bom.. Você vai pra missa de formatura hoje?
- Vou sim. Mas é só às 7 horas, não é?
- Sim, 7 horas. É que tenho algo pra lhe dizer. Você acredita em Deus?
- Ahn? Acho que sim. Creio que ele que não acredite em mim.
- Então vá preparado pra rezar. Porque a Lia tá solteira.
- Essa piada animou uma tarde chuvosa do meu avô em 1941.
- Falo sério, meu caro! A Gabi comentou comigo. Disse que eles vivem terminando e voltando. Mas que dessa vez parece que não tem volta. João, a Lia tá solteira! Faça alguma coisa, pelo amor de Deus! Não permita que ela volte para aquele mala do Leonardo.
- Pena que não posso fazer nada..
- Pode sim, João. O que não pode é ficar parado aí. Bom, já dei o recado. Agora é com você.
- Ok, ok! Obrigado, Fred!
- De nada. Eu tenho uma aposta pra ganhar. Hehe.
- Ora, seu safado!

Desliguei o telefone e voltei pra cama. Grandes merda. Tentei retornar à minha sesta.

*

Não consegui. 1 minuto depois, levantei-me da cama. Não conseguia dormir. Era tanta ansiedade, tanto receio, tanta felicidade. Tudo se misturava. Andava pra lá e pra cá, no meu quartinho minúsculo. Mais um pouco e faria um buraco no chão. Respirei fundo, controlei meu nervosismo e comecei a falar sozinho, em voz alta.

- Ok! Certo. Então.. É hoje! É agora ou nunca, João! Vê se faz alguma coisa que te orgulhe ao menos uma vez na vida, seu bundão!

Saí do quarto e fui assistir TV. Mas não prestava atenção em nada. Peguei um jornal, tentei ler. Li várias vezes a mesma notícia. Minha irmã falava comigo, mas eu nem sabia do que ela tava falando. 5:30. Fui tomar banho, me arrumei, e sentei na cama. Fiquei pensando o quanto poderia ser importante aquele dia. Fiquei imaginando que minha timidez iria me frustrar novamente. Eu precisava fazer alguma coisa, e só força de vontade não era suficiente. Lembrei da bebida. Lembrei do efeito que ela me fazia. Corri pra geladeira e encontrei umas cervejas que meu pai havia comprado. Eu odeio cerveja, já comentei aqui.

Abri uma latinha e bebi tudo. Joguei no lixo e abri outra. Bebi toda, também. Voltei pro meu quarto. Vasculhei minhas gavetas atrás de um remédio. Rivotril. Dizem que dá sono, mas em mim costuma surtir o efeito contrário. Eu fico elétrico. Sempre tomo, quando vou viajar de avião, porque tenho um certo "medinho", e sob efeito do remédio eu fico tranquilo. Na última vez, a aeromoça estava apavorada com a turbulência sem fim, enquanto eu quase tirava o cinto de segurança e dançava um mambo no corredor, tamanha era a empolgação.

Tomei uma pílula. Vi que não era suficiente. Encontrei uma cartela de Maracujina. Tomei 4, de uma vez, e guardei o resto no bolso. 6:20. Procurei na minha carteira e achei um Dramin. Resolvi não tomá-lo, ainda. Voltei pra cozinha e peguei mais uma cerveja na geladeira. Estava quente, terrível, mas pouco importava. Após ter ido ao banheiro, pra não correr o risco de ficar "apertado" em plena missa, resolvi partir. Minha irmã me viu arrumado e perguntou.

- Pra onde você vai?
- Uma festa ali! Tchau.

Resolvi não contar para minha família que era a missa de formatura. Certamente, eles iriam querer ir também. E, além de me sentir mais livre sem eles, eu não sabia como me comportaria naquela condição.

Porque uma hora caiu a ficha. Eu estava praticamente drogado. Mas a timidez parecia ter ido embora. Ver imagens em movimento olhando, parado, para um ponto estático, não era exatamente um problema.
Peguei um táxi, por garantia, e cheguei na igreja.

Fiquei um tempinho olhando as pessoas chegarem, alguns rostos conhecidos, alguns amigos de "Oi e Tchau". Até que chegou o Fred.

- João!
- Ê.
- Você tá estranho, cara.
- Eu tô ótimo, cara. Ótimo. Nunca estive tão bem. Ótimo. Ótimooooooo.
- Tá bom, não precisa ficar repetindo.
- Cadê a Lia? Cadê aquela diabinha?
- João, você tem certeza que.. ?
- Tô brincaaaaaaaaando, meu amigo! Que é isso, cara. Tá tranquilo. Foda-se a Lia! Opa, "foda-se" não, porque estamos na casa do Senhor! O Senhor é meu pastor e nada me faltará. Foi mal aí, Deus.

Entramos na igreja e fomos andando, até encontrar a Gabi. Consegui me controlar. Sabia que não estava normal, mas algo mais forte parecia me dizer que eu deveria me comportar. Cumprimentei direitinho a Gabi, e ficamos ali. Boa parte dos meus amigos estavam lá, alguns com seus pais. Eu falava pouco, pra não correr riscos. Embora até ficar em pé fosse uma missão complicada. Avistei a Lia, entrando.

E..

Eu não sabia se era graças à minha ebriedade, mas eu nunca tinha visto ela tão linda. Aquela imagem não sairia fácil da minha cabeça, pude prever. Meti a mão no bolso e, disfarçadamente, tomei um Dramin.

- Oiii!
- Oi Lia!

Trocamos uns beijinhos, e ficamos conversando um pouco. Quer dizer.. Meu grupo de amigos, porque eu permanecia calado. Não por timidez, mas por receio de falar besteira. Senti uma vontade de ir ao banheiro.

- Vou ali! Já volto.

Corri pro banheiro, com dificuldade pra enxergar as pessoas que estavam na minha frente, aqueles obstáculos humanos. Cheguei ao banheiro, bem amplo, e fechei a porta. Olhei-me no espelho, tentando reconhecer um João Eduardo no reflexo. Da exaltação, parti para a depressão. Botei as mãos na cabeça e abaixei-me até o chão. Fiquei sentado ali. Levantei-me e olhei para o espelho novamente. Olhei, e perguntei: "Quem é você?".

Meu estado de perturbação mental era tamanho, que comecei a me socar. Vi que não sentia tanta dor, e fui batendo cada vez mais forte. Estava aflito, não sabia o que fazer, e a raiva aumentava a cada hora. Fiquei refletindo por alguns minutos. Se tudo isso valia a pena. Fiquei pensando como conseguia ter chegado à tal ponto. Droguei-me com remédios e bebida, porque era o que havia, mas se tivesse acesso à cocaína ou outra droga pesada, certamente faria uso dela. Voltei a olhar para o espelho. Dei mais um soco no meu rosto, sentia que merecia. Mas eis que alguém chegou, assustado.

- Meu filho! O que é isso?

Era um homem de batina. Sim, era o Padre, só podia ser. Consegui me descontrolar ainda mais.

- Isso? Isso é o Capeta, padre! Tô tirando o capeta do corpo! Ele não sai de jeito nenhum, esse desgramado!
- Você precisa de ajuda. Conte-me. O que há com você?
- Eu sou um drogadinho, padre! Eu sou um perdido na vida! E olha que eu não gosto dessas coisas naturebas não. Maconha? Isso é coisa pra criança! Eu gosto é de cocaine! Padre.. você não imagina no que eu estou pensando agora. Você não imagina que tipo de pensamento está passando pela minha cabeça agora. Eu vou pro inferno, padre!

Nota: pensamentos diabólicos REALMENTE passavam pela minha cabeça. Prossegui.

- Ontem eu comi 3 menininhas, sabe. 3 putinhas. Novinhas, fãs de RBD.
- Santo Deus!
- E dei pra dois caras, padre. Eu não estou certo sobre minha opção sexual, entende? Eu acho que quero assumir! Mas.. Mas isso tem sido um problema. Eu não sei! Sabe? Sei lá. Padre, eu quero dar pra você!
- Minha nossa senhora! Acalme-se, meu jovem. Eu tenho que rezar a missa, tente se acalmar. Qual seu nome?
- Ok, padre, pode ir! Vá em paz! Meu nome é.. Leonardo. Leonardo Freitas.
- Fique com Deus, meu filho, vamos resolver isso!
- Acredito! Acredito...

O padre saiu, ainda assustado comigo.

- ..só acreditoooooo no semáforooooo! Só acredito no aviãooooooo! Não acredito no relógiooooooooo!

(Vanguart - Semáforo)

Cantava e dançava. Comecei a rir, diabolicamente. Lavei o rosto, respirei fundo e voltei pra missa.

Fui andando devagarzinho para perto dos meus amigos. Estavam todos quietos, olhando pra frente. Peguei aquele jornalzinho e comecei a tentar acompanhar o que o padre dizia. Vez ou outra, olhava pro lado, pra Lia. Não queria falar nada. "Só queria estar ali. Sempre ao lado dela." (Legião Urbana - Ainda é cedo)

* * *

Palavras e mais palavras.

" - Iniciando esta celebração de Missa de formatura, fomos convidados a agradecer a Deus por nos ter chamados à luz da verdade. Celebramos, ao mesmo tempo, a superação das trevas da ignorância e a esperança num futuro feliz e num mundo melhor. E o fazemos à luz da Palavra de Deus e da Eucaristia, para que sustentem a caminhada em busca da verdade, da justiça e do amor."

Não prestava atenção. Ouvia tudo que era dito, mas não prestava atenção. Vez ou outra, somente, algumas frases conseguiam superar aquela enorme barreira e entrar no meu pensamento.

" - Vocês não estão sozinhos. Jesus Cristo, Nosso Senhor e Mestre, ao despedir-se de seus apóstolos, de seus discípulos e dos que o acompanhavam, lhes disse: Eis que estou convosco todos os dias até o fim dos séculos.."

Cânticos, orações, ensinamentos. Durou um bom tempo, não lembro quanto. Eu não lembro de muita coisa, pra ser franco. Só estou contando aqui aqueles fatos mais importantes que, mesmo após tanta bebida e remédios, permaneceram na minha memória. A missa estava chegando ao fim. Podia esquecer de tudo, menos da cena final. O padre, olhando para as pessoas ali da frente, aparentemente procurando alguém, começou a falar.

- E hoje eu gostaria de dedicar essa última oração para uma pessoa que aqui está. Eu não sei onde ele está. O nome dele é Leonardo Freitas. É um jovem que anda com alguns problemas, que certamente serão superados, com a graça de Deus. Vamos dar as mãos e pedir, não só pelo Leonardo, mas por todos nossos irmãos que vivem situações parecidas.

Eu não sabia se ria ou se fingia surpresa. O queixo da Lia caiu uns dois metros. O Fred ficou me olhando, quase feliz. E o Leonardo..

Bom, o Leonardo estava ali perto. Estava nitidamente envergonhado. E revoltado. Mal acreditava. Seus pais, então, estes é que deviam estar se perguntando "O que há de errado com meu filho?". O Leonardo já saiu falando, em voz alta.

- Eu não conheço esse maluco! Esse padre é doido! O que deu na cabeça desse idiota?
- Meu filho, por favor, tenha respeito! Estamos numa igreja, fale baixo. Depois a gente conversa.
- Mas mãe, que loucura é essa? Que palhaçada é essa? Eu sabia que não devia ter vindo nessa merda de Igreja. Eu nunca gostei dessa porra! Falô pra vocês!

E saiu andando apressadamente até a parte externa.

O padre acabou não vendo, havia muita gente na igreja. Nem mesmo chegou a me avistar. Os comentários não paravam. Todo mundo queria saber o que havia de errado com o Leonardo. Mas a Lia parecia saber.

- Nossa. Acho que contaram pro padre.
- Contaram o quê?
- É um probleminha aí. Gente,vamos lá pra fora, tá quente aqui.

Mas, quando todos já iam saindo, vi que os pais do Leonardo foram falar com o padre. Fiquei curioso, pensando se não deveria ficar ali perto ouvindo, mas ele poderia me ver. Fui lá pra fora, com o Fred, a Gabi e a Lia. Pensei que aquela seria uma boa oportunidade de passarmos vários minutos conversando, mas a Lia resolveu ir embora.

- Gente, já vou! Tô muito cansada. Beijo pra vocês.

E se foi. O Fred já demonstrava uma certa "intimidade" com a Gabi. Achei melhor deixá-los à sós, e me despedi também. Mas, na saída, vi os pais do Leonardo falando com ele. Aproximei-me, discretamente, e fiquei próximo à um carro, como se estivesse esperando alguém. Eles falavam tão alto que nem precisei ficar tão perto pra ouvir. E nenhum deles notou minha presença ali.

- Olha, Léozinho. A gente quer que você saiba que estamos contigo, independente de qualquer coisa.
- Do que vocês tão falando?
- Filho, não minta pra nós. Por favor. Não complique mais as coisas. Já sabemos de tudo.

O Leonardo olhou pro chão, com a cara fechada. E respondeu.

- Tá, tá bom. Mas eu não quero ir pra uma daquelas clínicas! Eu posso parar a hora que eu quiser! Eu não sou viciado!
- Estamos com você, meu filho. Nós vamos te ajudar no que for preciso. E sobre opção sexual.. É uma escolha, filho! Você pode mudar essa escolha. Você tava namorando a Lia e tudo mais! Eu nunca imaginei..
- Calma aí, pai! Eu posso usar droga, posso beber pra caralho, fazer muita merda, mas viado eu não sou não!
- Filho..
- Quem colocou isso na cabeça de vocês? Que merda!
- Eu atendi o seu celular, uma vez. Desculpe-me, sei que não devia. Mas atendi. Não sei o que aconteceu, acho que o rapaz pensou que eu fosse você, deve ter confundido, já que nossas vozes são parecidas. Ele me contou tudo, filho. Pensando que falava com você, mas contou.
- Contou o quê? Vocês estão loucos!
- Sobre o cinema.. sobre o bilhetinho..
- Eu vou me matar.
- Filho! Nós estamos com você! Pelo amor de Deus, você não precisa tomar nenhuma decisão dura. Isso vai passar. Vamos embora.
- Tá. Eu não vou me matar.
- A morte não é solução pra nada!
- Eu vou matar esse padre. E vai ser agora!

O Leonardo tentou correr em direção à Igreja, mas foi contido por seus pais e por um primo que estava com eles.

- Vamos embora! Entra no carro, filho! Fique calmo!

Senti que o "show" já havia acabado e tomei o rumo pra casa. Já estava quase sóbrio, apenas com um pouco de sono. Fui andando e pensando que, mais uma vez, havia fracassado. Mas havia um sentimento de vitória pelo que aconteceu com o Leonardo. Vingança? Talvez. Uma atitude deplorável, certamente. Mas, veja só, no final das contas, serviu pra alguma coisa. Não só eu, como os próprios pais dele descobriram o "terrível" segredo do Leonardo. Fiquei olhando pro nada, pelo caminho. E acabei reconhecendo que, nesse dia, eu era igual à ele. E eu não queria ser. Eu não devia ser. Por mais que aquele jeito permitisse à ele conseguir o que eu mais queria na vida, a Lia, senti que não estava disposto a pagar este preço pelo meu desejo. E voltei pra casa, ainda sonhando. Afinal, a formatura ainda estava por vir.

Minha última chance, talvez.

Comunidade no Orkut - Participe!

João Eduardo l 4:30 AM l

Terça-feira, Dezembro 19, 2006


If I could be who you wanted.. All the time, all the time Fake plastic Trees - Radiohead

Último dia de aula. Fim de um ciclo. Esperei tanto por esse dia! Nos piores momentos da minha época de estudante de colégio, quando eu precisava fazer prova e tinha que passar horas estudando, ou mesmo quando eu olhava pra cidade, da janela da sala, e me sentia preso ali, naquele lugar fechado e cheio de gente, sempre sonhava com o dia em que, finalmente, eu terminaria o ensino médio. O dia em que eu não precisaria mais me preocupar em acordar cedo, ou dar satisfações para um diretor chato. O dia em que eu não precisasse mais estudar um monte de matérias que odeio e aturar professores que adoram pegar no meu pé. O dia em que, finalmente, eu conquistaria a minha liberdade! Parece besteira, mas é assim que eu imaginava que seria.

Mas no último dia de aula, por incrível que pareça, não me senti feliz. Afinal, é triste deixar de conviver com tantas pessoas que passaram a fazer parte da minha vida. Sei bem que as maiores amizades continuarão existindo, mas muitas delas certamente irão sumir, e outras perderão força. E o colégio, por mais que tenha seus "contras", sempre foi palco de grandes acontecimentos, que não irão se apagar facilmente da minha memória.

No último dia de aula, encontrei meus melhores amigos do colégio e resolvemos fazer algo diferente. Combinamos de nos encontrar na frente do colégio e seguirmos outro rumo. Fred, Augusto, Daniel, Gustavo, Renato. Muitas das histórias contadas até aqui tiveram estes personagens. A partir de hoje, não sei quantos deles ainda terão alguma participação importante na minha vida.

Pode soar um pouco melancólico às vezes, mas a vida é assim. As pessoas vão e vêm, às vezes seguimos caminhos diferentes. E o que hoje é uma grande amizade amanhã pode se tornar apenas uma boa lembrança. Tenho consciência de que, quando entrar na faculdade, minha vida mudará por completo. Conhecer pessoas novas, perder contato com amigos do colégio, precisar ter mais responsabilidade. Novas oportunidades, emoções. Mas, hoje, eu só queria pensar no dia de hoje. Que já era especial mesmo antes de começar.

Nos encontramos e partirmos.

- E a gente vai pra onde?
- Caras.. Que tal um shopping?
- Depende. A gente tem que fazer algo diferente. Pra ficar marcado mesmo. Pô, é o último dia de aula! Já fizemos bem em não ter ido assistir.
- Não há muito o que se fazer de diferente em plena manhã. Vamos pra um praça jogar conversa fora. Vamos andar por aí. Acho que só o fato de não estarmos na aula já me deixa feliz.
- Isso aí, não temos muita escolha. Galera, eu tenho uma graninha aqui. Vamos comprar bebida e sair bêbados por aí. Em plena manhã de sexta-feira! Isso vai ser memorável.

Passamos num barzinho, e o Renato, que tem 18 anos, foi comprar umas cervejas. Eu nunca tinha bebido na vida. Um gole ou outro, mas nunca enchi a cara.
Sentamos no banco de uma praça e começamos a beber. Descobri que odeio cerveja. Mas "ice" é até agradável. Entre várias conversas, o Fred comenta.

- O ano tá acabando e o João não ficou com a Lia!
- Porra, João! Botava fé em você.
- Ah, mas é isso aí cara, agora tem que beber pra afogar as mágoas.
- Eu tinha apostado 30 mangos em você, cara! Pelo visto vou perder a aposta.
- Você o quê? 30 mangos? Vocês são loucos, eu nunca gostei dela.
- Aham. Aquele Leonardo tem uns podres, não sei como a Lia fica com ele. Eles não combinam.
- Que podres?
- Uns lances aí. Não posso falar, mas procura saber.
- Vocês ficam me usando pra fazer aposta, seus safados!

- João, entenda uma coisa. As mulheres gostam de caras idiotas. Elas morrem negando, dizem que sonham com um príncipe num cavalinho branco que vai fazer tudo que elas querem, mas a gente sabe que não é verdade. Você é um cara legal, bacana, todo mundo aqui sabe disso. É uma espécie em extinção naquele colégio. Já o Leonardo é o tipo de gente que eu não gosto nem de ver por perto, é aquele tipo de sujeito desprezível que contamina a nossa sociedade.

- Fred, a bebida te deixa mais inteligente hein? "Contamina a nossa sociedade".
- Eu sou burro mesmo, se eu fosse inteligente eu não tava aqui, tava na sala estudando pro vestibular. Mas de algumas coisas eu entendo. João, não se preocupe! Ainda há tempo de se tornar um idiota. Vai, bebe aí, enche a cara, e depois vai fazer merda. Repita isso todo os dias e você será o queridinho das mulheres.

E, pela primeira vez, eu fui tomando todas aquelas bebidas e, aos poucos, deixando de ser o que sou, pelo menos por alguns momentos. Parecia um retardado. Mas notei que, pelo menos, a bebida me tirava a timidez. Fazia sentido o comentário do Fred. A bebida podia me abrir portas, mesmo que me fizesse um idiota.

*

Conversamos sobre tudo, andamos por aí sem destino, relembramos algumas coisas, planejamos outras. Estávamos bêbados, porém relativamente comportados. Alguém se lembrou de olhar pro relógio e viu que já passava de meio-dia. Nos despedimos e cada um seguiu o seu caminho.

- A gente se vê por aí! Depois liguem pra marcar alguma coisa.
- Valeu, velho, abração!

Cheguei em casa, levemente embriagado, corri pro quarto e desabei na cama. Só acordei à noite.

- João!

(zzzzz)

- João!
- Qhsd.. foi?
- Não vai pro pré-vestibular?
- Pré o quê?

Ó, dura vida de estudante.

No dia seguinte, acordei às 6:00 em ponto. Levantei-me, fui até o banheiro, enxuguei meu rosto. Foi aí que eu notei que havia algo de diferente.

- Calma aí. Eu tô de férias! Por que acordei à essa hora da madrugada?

Voltei pra cama e dormi até meio-dia. Acho que nunca me senti tão feliz. E deve ser assim de agora em diante. Isso que é vida!
Foi bom ter dormido muito, descansado. Porque era o dia da missa de formatura. E vocês não fazem idéia do que aconteceu.

*

Sei que tô virando uma espécie de "João Kléber" mesmo, mas aguardem. Logo mais eu conto!

Comunidade no Orkut

João Eduardo l 3:23 AM l

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006


Calma aí!

Último dia de aula, Missa de Formatura e otras cositas más..

Logo mais, não mude de canal.

João Eduardo l 5:40 PM l

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006


She was standing beneath the chandelier.. I offered her chocolate and some beer.. She said no, I said why, she said no, I said why.. And stayed dancing alone.. Elefant - Tonite let's dance

Fui pra aula e encontrei um amigo no pátio, o Alex, um dos maiores CDFs do colégio. Contou-me que havia pego a nota do prova de redação com o professor e que tirou 10.
Parabenizei ele, disse "Pô cara, você é fodão mesmo! Parabéns!". Ele agradeceu, orgulhoso.
Entramos na sala e o professor foi comentar sobre as redações. Todos em silêncio, e ele começou.

- Bom, vamos falar então sobre as redações. Tivemos aqueles que tiraram nota máxima, que fizeram tudo certinho, sem nenhum erro. Gente com o Alex, a Patricia, o Vinicius. Estou muito orgulhoso de vocês.

Ficou calado por alguns segundos. Depois, demonstrando desapontamento, comentou:

- Por outro lado, tivemos alunos que não seguiram a mesma linha. O que me deixou frustrado. Gente como o João Eduardo..

O susto foi enorme. A vergonha veio logo em seguida, junto com a tristeza, que tentei disfarçar com um sorriso amarelo. A sala inteira olhando pra mim, alguns com olhar de pena. Ouvi uma menina, ali perto, falar "Tadinho...".
Abaixei a cabeça, ruborizado, e esperei aquilo tudo passar.

E eis que o professor prosseguiu.

- Eu tenho que confessar que me deixa frustrado pegar a redação de um aluno como o João Eduardo. Deixa-me frustrado ver que, depois de tantos anos de profissão, dando aulas de redação, de tantos livros lidos, de tanta experiência, eu não tenho a genialidade que esse menino de apenas 17 anos tem, pra escrever um texto. Eu espero, e vocês podem esperar também, o dia em que nós vamos ver este menino fazendo sucesso na imprensa ou escrevendo livros, e não apenas sendo bem sucedido na redação do vestibular. Meus parabéns, João!

E ele começou a aplaudir, e toda a sala fez o mesmo. Gente gritando, alguns amigos vieram me cumprimentar. Eu, que já tava morto de vergonha, quase tive um ataque do coração. Mas dessa vez com um sorriso no rosto e muito orgulho.

É óbvio que foi exagero dele, mas achei incrível a maneira que o professor achou pra me elogiar. Ele me deixou pra baixo, fez eu me sentir um merda, pra depois me reverenciar. Às vezes acho que o nosso amigo lá de cima também faz isso. Acredite você ou não, não vamos entrar no tema "religiosidade". Mas eu acredito, e acho que ele faz isso pra que a gente dê mais valor para as conquistas. Porque é certo que as pessoas não costumam dar o devido valor para aquilo que é fácil de ser conseguido.

E depois de se sentir no fundo do poço, é indescritível a sensação de voltar ao topo, e até passar das nuvens.

João Eduardo l 1:59 AM l

Quinta-feira, Novembro 30, 2006


De tudo ao meu amor serei atento.. Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto.. Que mesmo em face do maior encanto.. Dele se encante mais meu pensamento. Vinicius de Moraes - Soneto da Fidelidade

O pré-vestibular é parecido com o colégio. Talvez porque seja no colégio também. Na mesma sala. Só as pessoas que mudam.. e nem tanto assim. O mais bacana é estudar à noite. Espero que, assim que entrar na faculdade, possa estudar à noite. Não aguento acordar cedo pra ir pra aula.

No intervalo das aulas, saio com alguns amigos pra comer alguma coisa lá fora, porque a lanchonete do colégio não funciona à noite. E o lugar mais perto é onde vende um hamburguer terrível, que meus amigos adoram. Como eu não tenho muita escolha, tenho que comer por lá mesmo. Já insisti pra mudarmos, porque eu também não quero ir comer sozinho em outro lugar, pois assim perco as conversas..

- Que tal se a gente for naquele lanche ali perto?
- Muito caro.
....
- E se a gente for naquele..
- Muito longe..
....
- Po, esse sanduíche é ruim pra caralho!
- Eu gosto..
...

Desisti. Enfio tudo goela abaixo e pronto. Meu estômago que se acostume. Geralmente a gente passeia um pouco pelas redondezas, jogamos conversa fora e voltamos 20 minutos depois do término do intervalo.
Só que aí "encontramos" um SESC ali perto. Tem uma biblioteca, algumas salas vazias e... um cinema! Um pequeno cinema. E descobrimos que todas as noites, logo após o intervalo do colégio, são exibidos alguns filmes. Dependendo do filme, já nem voltamos mais para o pré-vestibular. Assistimos e vamos direto pra casa depois. Tudo bem que a gente já não estuda tanto, mas.. precisavam colocar um cinema, de graça, tão perto? Dia desses passei a ver tudo por um bom ângulo. O cinema também ensina. Dia desses, por exemplo, estava passando o famoso filme do Pelé. Digo "famoso", porque é famosa a expressão do Chaves "Preferia ver o filme do Pelé." Pois é, nós também. E, ao invés de assistir uma aula chata de química, saímos todos conhecendo a incrível carreira e os maravilhosos gols deste gênio do futebol.

Outro dia, a sessão terminou bem antes do normal e caiu uma baita chuva. Aí tivemos que tomar um belo banho até chegar ao colégio. Mas é o preço que se paga pra ter acesso à cultura.

Dia desses, numa dessas idas ao cinema, avistamos uma bela garota. Eu, Renato e Augusto. O Pablo e o Márcio faltaram, e o Samuel achou melhor ir pra aula. Ah sim, vocês não conhecem nenhum deles, com exceção do Augusto. Pois bem, são estes meus companheiros do pré-vestibular. O prazer é todo deles.
Mas falávamos da bela garota.

Ela estava parada ali no hall de entrada, olhando alguma coisa no mural. Cabelos castanho-claros, olhos verdes, alta. Um deleite para os nossos olhos. Mas, como era "muita areia pro nosso caminhão", e não poderíamos fazer nada além de admirar, achamos melhor entrar logo na sala e não perder o filme. "Os sonhadores".



Já tinha ouvido falar, mas não sabia do que se tratava. Nas primeiras cenas vi um grupo de estudantes, vi uma manifestação. E vi a Eva Green! Pronto, não importava se o filme era bom, já havia um bom motivo para assisti-lo. Haviam poucas poltronas vazias e não consegui sentar perto dos meus amigos. Procurei um lugar ali atrás e achei. Olhei pro lado direito e havia um sujeito meio.. err.. afeminado. Sorrindo. Sorrindo pra mim. Virei rapidamente a cabeça pro outro lado.

Começaram algumas cenas mais quentes. Eva Green pelada. Ó, céus! Na verdade, a coisa era bem mais impactante: a sua personagem estava dormindo na mesma cama com o irmão, também peladão. E um amigo, que eles haviam conhecido no mesmo dia e já estava hospedado na casa deles, observava a cena, surpreso. Em outra cena, o irmão safadão está se masturbando na frente da irmã e do amigo, por "ordem" da irmã. O gay, sentado do meu lado direito, pega na minha mão. Olho pro lado. Ele me olha com um "olhar 43", aquele assim, meio de lado, louco por mim. Fico constrangido com a situação, me levanto e vou saindo. Mas antes que eu dê um passo, lá vem ela. A bela garota que eu admirava com meus amigos minutos atrás.

Ela dá um meio-sorriso pra mim. E que beleza de meio-sorriso! Resolvo me sentar novamente. Ela fica do meu lado esquerdo. Mentalizo no meu pensamento: "Não olhar pro lado direito. Não olhar pro lado direito. Não deixar minha mão de bobeira."
Dou uma olhadinha rápido pra deusa. E ela responde o olhar. Nossos rostos ficam tão próximos, que me bate aquela velha e malfadada timidez. Fico vermelho e olho pra frente. Mas noto que ela continua olhando pra mim. As cenas do filme ficam mais fortes. Sexo explícito.

- Qual seu nome?

Fico olhando pra tela, e confirmo que o filme não era dublado e nenhum dos personagens falava português.

- Hein?
- É.. é... João..
- Prazer, meu nome é Marina.
- Pra-prazer.

Fico sem reação.

- Quer pipoca?
- Ahn?
- Quer pipoca?
- Nã-não, obrigado.
- Hehe.

Ela tá rindo. Deve estar rindo da minha cara. "Que mané, fica gaguejando só porque tá falando comigo!". Mas, mesmo me sentindo assim, o meu ego começa a inflar. Será?

- Quer halls?
- Não, valeu.
- Você não aceita nada que eu queira te dar?

Fico mais vermelho que minha camisa do Manchester United. Com um filme daqueles passando, uma menina tão linda dizendo algo que parecia ser dúbio, eu mal sabia como me comportar. Até que recebo um papelzinho branco, onde está escrito.

"Te achei muito lindo. Anota seu telefone aqui.."

E não era da menina.
Um espírito diabólico toma conta de mim e tenta contornar a situação.
Procuro no meu celular o número do Leonardo e anoto no papel. Entrego pra ele e pisco o olho direito.

Volto a assistir o filme. Uma cena mais romântica aparece. Tudo bem que é um incesto romântico, mas me lembra alguém que estava longe dali...

*

Uma menina linda me dando bola, ao meu lado, e eu pensando na Lia. A alegria dá lugar para a tristeza. E pouco tempo depois, a menina resolve ser mais direta.

- Você tem namorada?
- Ahn? Tenho..

TENHO? QUEM, MEU DEUS? QUEM? Não sei como respondi isso. A vontade é de dar um soco na minha cara. Recebo outro papelzinho.

- Pega o número do meu celular. Me liga algum dia. Tenho que ir.

E ela se vai. E eu fico ali um tempinho pensando. Que besteira que eu tô fazendo.

O filme acaba, e eu saio logo, quase correndo. Eu havia piscado o olho e dado o meu suposto telefone pro cara do meu lado, era provável que ele viesse atrás de mim. Não é que eu seja homofóbico, só não é minha praia. Avisto meus amigos e comento.

- Vamos logo que eu tô atrasado!
- Calma aí cara, vamos esperar pra ver se aquela gatona não aparece..
- Ela já foi! Ela me deu o telefone dela.
- Tua bunda!
- Vamos logo!
- Por que a pressa, cara?
- Tá vendo aquele gay ali olhando pra cá? Ele também me deu o telefone dele. Simbora!

E assim terminou mais um dia do pré-vestibular.
Enquanto aguardava meu pai vir me buscar, vi um orelhão ali perto.
Fui até lá e liguei..
Pra ela. Ficava feliz de ouvir aquela voz.

- Alô?
- ....
- Alôô?

Coloquei o fone no gancho e fiquei refletindo.
É.. O ano tá acabando, as aulas estão acabando. Fora do colégio, dificilmente eu vou conseguir ter contato com a Lia. Então vocês podem aguardar por algum desfecho, porque eu já não aguento mais guardar isso aqui dentro.

João Eduardo l 5:37 PM l

Quarta-feira, Novembro 29, 2006


Avisando e pensando

Acho que alguns leitores que falam comigo já sabem, mas para que todos tenham a informação, lá vai: eu me mudei para o Rio de Janeiro faz algumas semanas - quase 2 meses, aliás.

Aqui é sensacional, sensacional. Se um dia eu voltar para São Paulo, vai ser por trabalho ou sei lá, por eu ter engravidado alguma filha de chefe do tráfico de drogas aqui do Rio de Janeiro. Como a segunda possibilidade é bem pequena - tipo zero -, então creio que eu fique aqui no Rio por um bom tempo.

Agora eu moro sozinho, hell yeah. Quer dizer, sem meus pais. Divido o apartamento com uma amiga. Amiga amiga, ok? Amiga amiga. Amiga do tipo que, sei lá, que eu posso ver pelada que não penso em nada.

Mas é claro, eu evito vê-la pelada porque eu sei que acabo pensando em alguma coisa. Se tem nego que vê a MÃE pelada e já fica meio "Quem sabe... essa coroa é jeitosinha", acho totalmente normal pensar em pular em cima da colega de quarto pelada. Então eu evito.

Por enquanto tem tudo corrido bem aqui e eu tento dar um pulo em São Paulo a cada 15, 20 dias. Mas esses pulos vão tendo cada vez mais hiatos. E com isso eu deixo as coisas ruins e as coisas boas para trás. Inclusive, isso, a minha quase cliente de utensílios sanitários. É a vida.

Mas me mudei porque achei que seria divertido. Só por isso. E não vale a pena mudar só por que é divertido?


Quarta-feira, Novembro 22, 2006


O ano tá acabando e eu preciso ao menos pensar nas maneiras possíveis de me dar bem nas provas, já que eu não estudo, por isso o tempo é curto. Eu tenho um post novo pra vocês, falando do pré-vest, vou publicar hoje ou amanhã.
Palavra de político!

Atualizado:

Vocês acreditam que eu fui editar o texto e percebi que havia perdido metade dele?
Vou ali me matar e já volto.


João Eduardo l 3:09 AM l

Segunda-feira, Novembro 20, 2006


Utensílios Domésticos - Parte 2

E no dia seguinte, eu fui ver a Patrícia.

Hoje em dia estamos casados. 2 filhos. Um se chama Pedro e a outra se chama Tabela Periódica Toda Coloridinha.

Ok, vá, não demorei tanta assim para atualizar.

O fato é que no dia seguinte, eu fui na tal festa assistir a banda dela, e quem sabe, você sabe, (alguém sabe?), falar com ela com mais calma numa noite de punk rock sujo e gritado. Parece até aquelas comédias do Hugh Grant.

Me arrumei, mas não demais. Fui normal. Mas não tão normal. Tive a idéia de usar um terno todo rasgado.

Fiz uns ROMBOS aonde fica o cotuvelo, manja? Ficou massa. Meti um broche dos Sex Pistols e um da Spice Girls, porque dava um contraste bacana e as pessoas iam pensar que isso é atitude.
Eu nem sei o que aquela atitude ali era, mas as pessoas iam pensar... "Wow. Revolucionô o cara. Subverteu os conceitos estéticos, transgredindo a própria moda punk com elementos pop."

"Viado" - ou então diriam isso. "Mas que puta viado."

Cheguei na festa cedo, mas não muito cedo, apenas o suficientemente cedo para ver o sol se pôr e acabarem de desvirar as cadeiras.

É, eu tenho esse defeito. Eu não consigo ser um festeiro tão legal quanto a Paris Hilton. Eu chego REALMENTE cedo. Se me convidam para uma festa de Reivelón, eu vou vestido de Papai Noel, porque, bem, eu vou chegar dias antes mesmo. Hohoho.

Quando o bar abriu, eu pedi uma cerveja para entrar no clima. Tomei 2, 3. Pedi um ABSINTO. E fui matando tudo.

Infelizmente, não havia clima para entrar, pois as pessoas não haviam chegado ainda e eu já estava completamente bêbado e sem clima. Que merda, como eu consigo estragar as coisas assim?

Resolvi sentar quietinho numa cadeira e pedir só refrigerantes, na tentativa deles irem cortando o efeito da birita, ou algo do tipo. Enquanto ia compensando todo o álcool com miligramas e miligramas de açúcar, as pessoas foram chegando - na verdade, já haviam chegado, eu que não notei enquanto estava brincando de rodar palito de dentes no nariz.

E então, chegou a Patrícia com o pessoal da sua banda. Ela estava realmente linda e não se tratava duma "miragem de banco". Seja lá que porra isso for. Acho que é algo relacionado ao fato de no banco, tudo ser tão entediante, que qualquer coisa razoavelmente boa, se torna maravilhosa. Mas não era o caso dela, ela era realmente maravilhosa.

- E aê, meu.
- Haha então, e aí. Só. Só. E aê... só.


Não sei se era o efeito do álcool ou minha timidez pela situação, mas eu estava agindo tipo aquele menino da campanha anti-drogas, manja? Aquele que puxava o brinco e se ouvia uma descarga.

- Qual é o seu nome, aliás?
- Max.
- Max?
- Mentira.
- Qual é?
- Maximiliano. Mas eu prefiro Max.
- Dá para entender.
- Quer beber alguma coisa?
- Você tá me paquerando... ou na verdade, VOCÊ quer beber alguma coisa e me chamou só para não me deixar aqui falando sozinha?
- As duas coisas.
- Já é um bom começo.


Fomos pro bar. Pediu cerveja. Achei legal ela não pedir um desses drinks coloridos. Eu realmente ia pedir mais uma cerveja, mas achei melhor não. Primeira boa idéia no dia todo. Talvez no mês.

- Então Patrícia, eu acho que tô só te paquerando.
- Gozado você falar assim.
- Assim como?
- Assim... sabe, "tô te paquerando". Geralmente quem está paquerando, não diz essas coisas.
- Ah, haha. Eu entendo. Foi um dos truques que eu aprendi com o Joey, na época que...
- ... seu pai vendia privadas para astros do rock.
- Exato!
- É óbvio que você tá mentindo.
- Sabe o que eu gosto em você, quando afirmar que isso é mentira?
- O quê?
- É que você acredita, e não se conforma com isso.
- Touché, mutherfucker.


Quem essa mulher é para me chamar de "mutherfucker"?

Ela não pensa é nada. Ela sabe exatamente.

Mexeu no meu cabelo e disse "Vou ali. Vou rockar. Não foge, rapaz. Quero comprar uma privada depois."

Eu honestamente não lembrava da última vez que havia conhecido uma menina tão foda quanto ela. Sabe, alguém que no flerte, se deixa levar, mas de vez em quando te dá umas porradas? Vocês entendem o que eu tô falando ou é papo-de-gamadinho?

Subiram 2 bandas fracas. Depois uma boa. Encontrei um "amigo de internet" muito sem querer, e de uma forma bem peculiar. Ficamos conversando um pouco. Era o Vinícius, gente boa, gente de fé. Fã de Ramones e Steven Seagal. O louco é que no ICQ, no orkut, Myspace, o diabo, ele usa umas fotos de um cara branco, mas o Vinícius é negro. É algum tipo de piada, até agora não entendi exatamente. E eu só fui saber disso ali. Quase não acreditei que era ele, precisou rolar um lance meio "coisas que só nós sabemos". Tipo Ghost, aquele filme da Demi Moore.

Mas então, enfim veio a banda dela. E no palco, foi um lance meio de "deusa" para mim. Ela às vezes olhava para mim por segundos intermináveis e depois desviava olhar, para tomar uma atitude blasé, olhando para o nada. E depois bebia uma cerveja num copão de plástico e coçava a cabeça. Sabe, eu devia tá muito encantado, porque aquilo tudo parecia lindo. E não esqueçam que eu havia bebido pra caralho mais cedo.

Acabou o show, e eu fui lá para fora. Gosto de sentar na calçada durante a madrugada. Eu gosto desse clima meio tosco da cidade. Mendigo, puta, traveco, viciado em crack, e eu ali...

... com muito medo daquela porra toda! Levantei na hora e fui andando rapidinho para dentro do clube!

Mas aí a Patrícia saiu. Tinha tirado a jaqueta. Tava de jeans e uma regata branca. Veio andando séria para mim. Fui cortar o gelo enquanto ela caminhava:

- Hahaha vocês foram tão bons, que tô pensando em patrocinar a banda toda, com privadas. Daí vocês só precisam falar na MTV que usam as privadas da Rock-Toilett, as privadas que até os rock-...

Me deu um beijo.


Sábado, Novembro 18, 2006


..Let's make love.. and listen to..

Peraí. CSS não.

I may not always love you.. but long as there are stars above you.. you never need to doubt it.. Beach Boys - God only knows

Tô em época de provas no colégio. O ano tá acabando, o vestibular chegando, sabe como é. Então vamos deixar a Lia um pouco de lado e narrar o que ocorre além disso. Afinal, eu não vivo só por ela, claro.
Estou lá fazendo o simulado e o Daniel cutuca as minhas costas.

- Ei.. psiu..

Certifico-me que o professor não está olhando e resmungo.

- "Quié"?
- Passa o gabarito.
- Tô naquele nosso velho esquema cristão.
- Qual?
- "C" de Cristo e "D" de Deus.
- Fudeu, eu também.

A carteira vazia na minha frente complica mais as coisas. Favorece a visão do professor para as minhas tentativas de contato visual e verbal com o pessoal em volta. E é uma pessoa a menos, que poderia estar me fornecendo informações se estivesse sentada ali. Coloco a mão na testa e tento invocar o espírito de Chico Xavier. De tanto pensar que estava ferrado, eis que Deus atendeu as minhas preces, manifestadas ao marcar a prova pensando Nele. O professor chama o Paulo Henrique.

- Paulo, vem cá. Esse povo atrás de ti tá colando muito, senta aqui.



O professor aponta a cadeira à minha frente, e o Messias vem chegando.
Paulo Henrique é o cara mais CDF do colégio inteiro. Minha vontade é de levantar as mãos pra cima e abrir um sorriso, mas me contenho e faço cara de quem estuda. Sim, eu sou ótimo ator, como vocês já devem ter percebido.

O Daniel me cutuca fervorosamente.

- Aee! Agora pega tudo!

Resmungo um "hum", e me concentro para tentar pegar o melhor ângulo de visão da prova do Paulo.
Depois de tentar colar as questões, percebo que ele tem dúvidas em algumas, por marcar mais de uma opção, e acabo achando melhor esperar ele passar para o gabarito, que é coisa certa e definitiva.
O tempo passa, mas eu não tenho a moral, por não conhecê-lo direito, e nem a cara-de-pau de pedir com todo carinho para que ele seja breve de uma maneira sutil: "ANDA LOGO, DESGRAÇA!".

45 minutos depois, eis que ele pega o gabarito e começa a anotar. Ajeito o pescoço, me mantenho ereto, e tento olhar, disfarçadamente, as respostas. O ângulo não é lá dos melhores, mas dá pra pegar. Vou marcando direto no gabarito, pra não perder tempo. Está quase no final. Já começo a imaginar como vai ser bacana aparecer entre os primeiros na classificação geral. Até que, subitamente, ele pára.

Ele pára.

E eu paro também.
Eu olho pra ele, mas não sei o que dizer. Ele nem sabe que eu tô colando. Ele olha pro professor. Levanta a mão e o chama.

O professor vem se aproximando e eu volto a fazer a minha cara de CDF.
Olhando fixamente pra prova, apenas ouço.

- Eu errei o gabarito, será que o senhor poderia me dar outro?



O meu espírito se levanta da carteira, o agarra pelo pescoço, grita "SEU INFELIZ, COMO É QUE VOCÊ FAZ ISSO?", e depois o enche de porrada. Mas meu corpo permanece inerte. Pedir outro gabarito agora seria deveras suspeito. Respiro fundo e resolvo, dessa vez, copiar as respostas na prova.
Tarefa trabalhosa e cansativa. Chego a pensar que seria mais fácil ter estudado. Mas logo termino, e o Paulo se levanta e vai embora.

Agora é tempo. O Daniel me passa um papelzinho pra que eu coloque as respostas. Mais trabalho, mas é bom, porque ajuda a passar o tempo. Preciso enrolar tempo suficiente pra poder pedir outro gabarito sem soar tão suspeito.
O professor vem andando e anuncia:

- Faltam só 10 minutos. Vamos lá, galera.

Simulo que estou muito nervoso, e vou copiando tudo no gabarito. E então digo, em voz alta.

- Ah não..

E coloco a mão na cabeça.
Para minha sorte, o professor escuta.

- O que houve, João?
- Fui marcar apressado e errei. Você podia me dar outro gabarito?
- Claro, João.
- Obrigado, professor!
- Você tem cara de CDF, rapaz. Aposto que vai estar entre os primeiros da sala.
- Também..

O bom senso e a "humildade" puxam minha orelha..

- Também não é pra tanto né..

Termino de marcar as questões e saio feliz da sala.
Agora é só esperar o resultado e saborear a glória.

*

Alguns dias depois, lá está a lista, pregada no mural. O meu 3º lugar não é exatamente uma surpresa. O que me causa espanto é o segundo: Paulo Henrique. E me assusta ainda mais o 1º.

"1º - Daniel Franco"

Não me perguntem como isso aconteceu.

Fico um tempinho ali perto do mural, esperando os cumprimentos. A Lia está por ali. O Fred percebe e, mesmo sabendo que eu só estava tão bem posicionado por causa da malandragem, exclama:

- Caralho, João!
- Hê.
- Você é CDF mesmo! Parabéns meu velho, quando crescer quero ser igual à você.

O Paulo Henrique olha um pouco de lado pro Daniel. Imagino que esteja se roendo de raiva por não ter sido o primeiro. Eu acho tudo muito engraçado. Se eu estivesse em último lugar, talvez ficasse chateado. Mas eu sou o 3º! Tenho mais é que achar tudo engraçado mesmo.

*

Mais tarde eu conto pra vocês como está sendo a vida no pré-vestibular.

João Eduardo l 5:17 PM l

Domingo, Novembro 12, 2006


Olha só! A Ana e a Priscyla criaram uma comunidade pro nosso blog no Orkut. Entrem lá!

Clique aqui ó.

Voltamos já. Paz no coração de vocês.

João Eduardo l 3:43 PM l

Terça-feira, Novembro 07, 2006


O Max pegou Caxumba. Por isso a ausência dele por estas bandas.*

*

Escrever neste blog é como escrever uma novela. Baseada em fatos reais. Vou escrevendo capítulo por capítulo , e o público vai acompanhando e comentando. A diferença é que eu não faço idéia de que rumo essa novela irá tomar. Sou tão curioso quanto vocês pra saber como será o "final". Porque taí uma coisa que devo dizer: este blog terá um final, claro. Talvez porque a história vá se prolongar tanto que vocês ficarão cansados de acompanhar. Ou porque eu finalmente ficarei com a Lia, e aí o tempo que eu gasto escrevendo aqui, usarei com ela. Ou ainda porque irei jogar a toalha e desistir.

Acho que isso deixa as coisas mais interessantes pra quem visita este blog. Independente do final, eu e o Max já chegamos a imaginar isso aqui se transformando em um livro. E até numa minisérie ou filme, sabe-se lá. Um pouco exagerado, mas essas coisas passam pela minha cabeça.
O namorado da Lia foi sim ao cinema. Embora tenha ficado triste, é complicado desistir. Motivos não faltam, eu sei. Mas é difícil. Quem já se apaixonou sabe como é complicado esquecer. Ainda mais quando não se tem coragem de ser direto, de falar e esperar uma resposta, seja boa ou ruim. Então vou seguir tentando. Dizem que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura".
E aguardem os próximos capítulos!

* Ok, inventei a "caxumba" do Max, mas tinha que pensar em algo pra explicar o sumiço. É só vocês fingirem que acreditam e desejarem melhoras pra ele.

João Eduardo l 5:48 PM l

Terça-feira, Outubro 31, 2006


Oh don't don't don't, get out.. i can't see the sunshine.. i'll be waiting for you, baby.. 'Cause I'm through.. sit me down! Shut me up.. i'll calm down.. and I'll get along with you.. The Strokes - You only live once

E então?
Lá vamos nós.
Eu sei o que você está se perguntando.
E aqui vai a resposta..

*

Duas da tarde. Assisto alguma coisa tosca na TV. Um programa de clipes. Olho para o relógio da sala. 2 horas e 1 minuto.
Pego uma revista. Folheio. 2:10.
Mudo o canal. Estão ensinando uma receita de "Porco no Rolete" em algum programa obscuro destes que passam à tarde. Eu não sei o que é Rolete, eu não me imagino comendo porco. Cozinhar então..
Mas eu assisto. "Dissolver 1 kg de sal num copo de vinho, com um pouco de água que deve ser passada nas partes internas e externas do porco." 2:20.

Olho pra estante e tem uma revista "Boa Forma" dando sopa. "Boa Forma"! Eu leio. 2:40. Ô dia interminável. Penso em dormir, mas temo que vá dormir tanto que não acorde à tempo de ir pro cinema. Leio na "Boa Forma" que dormir faz bem pra pele. Ainda que eu já soubesse disso, aquilo me motiva. Não quero ter rugas tão jovem. Vou tirar um cochilo.

********

18:40. O celular toca. É o Fred.

- E aí João? Tu vai, cara? Já tô chegando aqui no cinema.

Tenho, sei lá, uns 15 minutos pra tomar banho, vestir uma roupa, calçar os tênis, escovar os dentes, arrumar o cabelo, passar um perfume.. Comer, nem pensar. Vou com fome mesmo. Nunca me apressei tanto na vida.
E 10 minutos depois eu tô pronto. Cabelo bagunçado (hoje em dia é estiloso, vide Strokes e cia), camisa um pouco amassada, mas que sobreviveu à bagunça do meu quarto, calça jeans suja, porém apresentável. Perfume.. não tenho mais. Acabou. Pego um qualquer que vejo ali pela sala. Não sei de quem é, mas parece bom. Antes que eu avise pro meu pai, ele me chama.

- Cadê teu material?
- Ahn?
- Você tá atrasado pro pré-vestibular, vamos logo!

Isso. Maldito pré-vestibular. Havia esquecido. Meu pai iria me torrar a paciência e não me daria carona se eu disesse que faltaria a aula para ir ao cinema. Pego minha mochila e vou até o carro. O cursinho é perto do cinema, dá-se um jeito.

Assim que cheguei lá, esperei meu pai ir embora e fui andando até o cinema. Andando não, correndo. 19:10. Estava atrasadíssimo, mas me surpreendi ao ver o Fred lá na frente. E muitas outras pessoas.

- Grande João! Foi mal cara, me confundi, o filme só começa 19:30..
- Bom saber, cara, bom saber! - digo, ofegante e um pouco suado.
- Vamos ali, cara, as meninas tão ali. Conheço esse perfume.
- Ah! Você usa também?
- Eu não, minha mãe.

E lá vai o coração, parecendo que vai sair do corpo e ficar pulando na calçada.
Mesmo nervoso, me aproximo pra falar com ela, mas ela faz isso antes, e com um sorriso no rosto.

- Oii!
- Oi Lia!

Beijinho pra cá, beijinho pra lá. O mesmo com a Gabi.
Até que a Lia comenta.

- Esse perfume que tu tá usando.. Carolina Herrera né?
- Acho que é..
- Mas é feminino, né?

Devia ser.

- Unisex!
- Tem certeza?
- Não..

Não tinha ué, vou mentir? Usar perfume de mulher não é exatamente um mico pra quem já passou por coisa muito pior. Incrível como agora o tempo passa devagar e cada palavra trocada ganha uma importância imensurável. Me sinto até vencendo a timidez, consigo conversar, mesmo sem jeito.

Me viro pro Fred e pergunto.

- Vocês gazetaram a aula também?
- Não, a gente não tem aula hoje. O cursinho vai mudar de local e ainda estão arrumando. Amanhã a gente vai pra um prédio novo..

A Lia olhava, quieta. Ela, o Fred e a Gabi tinham uma desculpa pra estar ali, eu não. Eu era um gazeteiro vagabundo. Me mantive calado enquanto o Fred conversava com as meninas, falando sobre uma tal briga que houve no curso. De tanto boiar naquele assunto, prestava atenção na vitrine da loja, na porta do elevador se fechando, na franjinha emo da menina ali perto.
Até que a Lia ignorou a conversa, se aproximou de mim e falou:

- É legal no Objetivo?
- Mais ou menos. Acho que o curso de vocês é melhor.
- E por que você não estuda com a gente?

Encarei aquilo como um convite e fiquei feliz.

- É mesmo.. Acho que vou mudar.

Estampava um sorriso raro no rosto. Tudo ali era motivo de felicidade. Estar ali, simplesmente. E a cada palavra trocada, mais feliz eu ficava. Até que veio o balde de água fria. A Lia olhou no relógio e exclamou.

- Gente, já vai começar e nada do Leonardo chegar!

O sorriso se foi. Olhei pro Fred. Vi um sorriso amarelo, ele também olhava pra mim. Se sabia, não quis me dizer.
Embora tentasse, era difícil esconder o incômodo que aquilo me causou. Olhava direto para o relógio, um pouco impaciente. Pensando em sair dali o mais rápido possível. Até que o Fred me chama pra conversar.

- Vou comprar uma pipoca ali. Vocês querem? João, vem comigo. Fiquem aí esperando que a gente compra pra vocês.

....

- Você não disse que eles não estavam mais namorando?
- Foi mal cara, eu me enganei. Nem eu sabia que o cara ia vir. Fiquei sabendo agora.
- E agora, cara? Eu não posso ficar aqui.
- Fica aí, talvez o Leonardo nem venha..
- Não, melhor não. E se ele vier? Vou virar vela dos casaizinhos? Vou ter que ficar vendo eles dois juntos? Não, cara. Tenho que ir embora. Me ajuda a encontrar uma desculpa convincente. Também não quero ir embora assim, sem motivo. Elas vão saber que é por causa disso..
- Sei. Tá bom, então. Você não tem aula hoje? Pode dizer que lembrou de uma matéria importante.
- É, né. Será que convence?
- Faz um teatrinho, diz que tinha esquecido que hoje tinha revisão de Física pro simulado. Vai até parecer que você é CDF. Pega o celular, finge que algum amigo te ligou. Eu dou corda.
- Tá certo, já sei o que fazer.

Peguei o celular, fingi estar recebendo uma ligação. Fiz todo o teatrinho. E então nos aproximamos das meninas e eu comentei.

- Pô galera.. Vou ter que ir..
- Por quê João, o que houve? - A Lia é a primeira a perguntar, com cara de espanto.
- É que hoje tem revisão pro simulado de Física, e eu não posso perder. Tinha esquecido, nem lembrava. É agora no segundo horário, dá tempo de chegar lá.. O Augusto acabou de ligar pra me avisar.
- Ah sim..
- CDF é outra coisa! Hehe. - o Fred tenta "colaborar".

Ainda que tímido e sem graça, às vezes me acho um bom ator. Usei minha frustração por saber que o Leonardo iria, para simular que o motivo da minha lamentação era, na verdade, ter que sair dali para ir ao cursinho. É uma coisa que eu sempre faço, direcionar emoções, tentar dar um motivo diferente para elas, quando convém. Se eu tô triste por alguma coisa e não quero que as pessoas saibam, finjo que é por outra razão, uma besteira qualquer. Graças à isso, acho que fui bem convincente.

Lamentei novamente não poder ver o filme, me despedi e saí caminhando até a saída. Liguei o mp3 player e coloquei na minha música favorita. Essa que dá nome ao blog. Andar dali até a saída era mais humilhante que a saída de um soldado derrotado numa guerra. E era mais ou menos isso. Mais uma derrota pra coleção.

Até deixei meu ingresso pro Fred entregar pro Leonardo, se ele fosse. Depois dessa, pelo menos devo ser o primeiro na porta que leva ao Paraíso.

João Eduardo l 2:23 AM l

Segunda-feira, Outubro 30, 2006


Me disseram que você estava chorando.. e foi então que percebi, como lhe quero tanto. Legião Urbana - Quase sem querer

E ontem eu ia chegando no colégio, quando fui abordado por uma menina, com quem eu quase não tenho contato, mas já devo ter trocado algumas palavras, por estudar na minha sala e ser namorada de um conhecido meu. Aí ela vai se aproximando de mim e pergunta:

- Eii! Qual teu signo?
- Hein?
- Qual teu signo?
- Câncer.
- Ah tá..

Antes que eu perguntasse o motivo, ela se foi. Olhei pro Daniel com cara de "Hein?" e perguntei.

- Hein?
- Vai pegar hein? Sortudo..
- Por que diabos a menina quer saber o meu signo?
- É isso aí, ela te quer.
- Ela tem namorado, Daniel!
- E daí?

E daí? É mesmo. Como se ter namorado representasse alguma coisa, hoje em dia. Embora passasse pela minha cabeça que ela era simplesmente maluca, e perguntou por perguntar, ou pra satisfazer alguma curiosidade estranha, fiquei um bom tempo pensando se fazia algum sentido o comentário do Daniel. Não que eu estivesse interessado nela, mas só o fato de saber que a garota tinha algum tipo de atração por mim já me dava um novo ânimo pra continuar na minha missão.

Uma das meninas mais bonitas do colégio queria saber meu signo, assim, sem motivo aparente. "Grandes merda", eu sei, mas quando você quer dar um determinado sentido pra certas coisas, não há quem o faça mudar de opinião, nem mesmo sua consciência, que sempre fica martelando que você é um bobão e que vê coisa onde não tem. Como eu sou tímido demais pra ir lá e perguntar, eu vou deixar a dúvida com vocês e, a menos que algo anormal aconteça, não teremos uma resposta.

Essa coisa de horóscopo é engraçada. Eu vivo olhando estes sites de astrologia. Não acredito nem desacredito. Quando eu vejo meu horóscopo e ele diz "Você vai ser feliz e ganhar uma bolada de dinheiro hoje", eu faço questão de botar toda fé e passo o resto do dia esperando ganhar encontrar uma nota de 100 reais na rua ou ao menos achar 10 reais perdidos no bolso da calça, ainda que 10 reais não seja lá uma "bolada". Ser feliz é consequência. Mas quando ele diz o contrário, eu fico pensando em como é balela ver significado pra coisas da vida observando o céu e os astros.

De tanto refletir sobre astrologia, mulheres, dinheiro perdido, tempo perdido, lá se foi mais uma aula. Ao entrar no pátio, eu vi a Lia, sentada numa cadeira, olhando pro chão. Algumas pessoas estavam em volta, conversando com ela. Me aproximei um pouco e vi que ela estava chorando. Não sabia o motivo e havia tanta gente ao redor, que nem me aproximei. Ah, mas que vontade de ir lá, dár-lhe um abraço e consolá-la, seja lá qual fosse o motivo da tristeza. E, como sempre, fiquei só na vontade, observando. O Fred estava por ali, e perguntei pra ele a razão daquilo.

- É que ela tirou zero em inglês..
- Como?
- Não acertou nada no simulado, ué.

Engraçado, ela parecia tão inteligente, tão dedicada. Vai ver por isso que estava chorando. Se um aluno desleixado como eu tirasse zero em inglês, só iria tentar descobrir uma maneira de fazer com que meus pais não soubessem. Fazer prova final e recuperação é algo que eu tô acostumado desde a 7ª série..

Algum tempo depois, lá vem o Fred falar comigo.

- E aí cara, vamos sair com a galera hoje à noite?
- Hum...

Sair? Eu não sou muito de sair..

- ..A Lia vai.

Mas talvez estivesse na hora de mudar isso.

- Claro, cara! Pra onde? Que horas?
- Pro cinema! Eu, você, a Lia e a Gabi. É que.. bom, eu tô interessado na Gabi. Chamei ela pra ir pro cinema, e ela disse que ia, mas que queria levar a Lia, porque ela tá triste e tal. Aí, sabe como é, "vela" não me ajuda. E como todo mundo sabe que você é doidinho pela Lia..
- Como assim "todo mundo"?
- Você já viu seus olhos quando conversa com ela? Pois é, se pudesse ver, saberia como eles te denunciam. Tá na cara, João! Todo apaixonadinho.. hehe. Até o Adeilson sabe!
- Eu? Eu não! Acho ela gatinha e só..
- Sei!
- Mas a Lia não tá namorando?
- Acho que eles terminaram. Não estão nem se falando. Não notou?
- Não!
- Hoje às 19 horas! Esteja lá e não vai se arrepender!
- Hum. Certo. A propósito, quem é Adeilson?

Olhei no relógio e ainda era 11 da manhã. Mais algumas horas e eu teria a grande chance da minha vida. Sabe o que é sentir "borboletas no estômago"?

Eu volto hoje à noite ou amanhã pra contar o que aconteceu.

João Eduardo l 4:27 PM l

Segunda-feira, Outubro 16, 2006


Utensílios Domésticos - Parte 1

Fui pagar um boleto do Submarino - coisa que não preciso mais fazer, pois agora tenho um cartão de crédito! - no Bradesco, e na fila tinha uma mocinha com cabelo castanho claro, que sei lá, deve ser o meu tom favorito.

Bom, naquelas, eu não tenho essas preferências também. Morena, branca, negra, loira, japonesa, eu prefiro sempre o que está sendo exibido na hora. Pode ser anã, pode ter um braço só...

... bom, não, não pode ter um braço só. Mas pode não ter as duas pernas, que nem naquela música do Adam Green: "There's no wrong way to fuck a girl with no legs". Concordo.

Bom, eu confesso, acho que tenho uma ou outra predileção... gosto das de castanho claro e daquelas que se pareçam um pouco com a Lois Laine ou a Mary Jane. Ah, vale Elaine Bennes (Seinfeld) e Monica Geller (Friends) também. Eu tenho esse defeito de tentar achar essas personagens de quadrinhos e sitcoms na vida real. Coisa de nerd, credo.

Fora essa predileção acentuada, eu não sou muito chato. Bom, de qualquer forma, eu acho que só sou mais chato que o meu avô, que não era nada exigente e gostava de proferir a clássica frase: "Coração tá batendo, então vai fundo, meu neto!" Mas aí é impossível ser menos exigente que isso.

Se bem que antigamente, no Egito, os embalçamadores tinham o direito de, você sabe, se aproveitar das defuntas antes de embalçamá-las. Sério, tu imagina que freak. O cara lá: "Amorzinho, você parece distante, não se concentra aqui no que estamos fazendo..." É, deve ser porque ela tá REALMENTE distante. Ou outro caso, vai que um embalçamador curte uma "mina" tanto a ponto de se apaixonar por ela? "Eu pensei que isso fosse só atração física... mas rola um sentimento. Eu vou ficar mais uns dias com você..." E sei lá, uma hora a mina vai se decompondo e tal. Credo, chega.

Acho que menos exigente que meu avô, só esses embalçamadores egípcios. Mas enfim, chega de história necrófila egípcia por hoje.

Depois de 10 minutos observando a menina na fila, que usava uma camisa do Ramones, resolvi falar com ela:

- Ramones, hein.

Que PORRA de puxada de assunto é essa? Aonde eu estava com a cabeça? "Ramones, hein"? O que alguém espera depois puxar assunto assim?

- É, Ramones. - ela disse sorrindo. - Elas são os Ramones.
- Eu tinha uma banda.. e a gente tocava umas dos Ramones.
- Quais?
- Life's A Gas. KKK Took My Baby Away... só essas. A gente não tocava tantas assim.
- Legal.
- É. Era legal.

E aí ficou um silêncio. Eu ia perguntar o nome dela, mas ela foi se viraaaaaando para frente e eu fui perdendo o espaço. Virou.

Tive uma idéia idiota.

- A gente conversava muito.
- Quem?
- Eu e o Joey.
- Joey?
- virou pra mim novamente.
- Ramone. Joey Ramone. Esse moço aqui na direita na sua camisa. - e encostei na barriga dela. Mas de leve, só pra apontar.
- Não mesmo! - Disse ela rindo. - Você não tem idade para ter conhecido o Joey Ramone!
- Não, eu era bem pequeno, mas é verdade. O meu pai era vendedor e conhecia o Joey.
- Seu pai vendia o quê? Crack?


"Essa é das minhas!", eu pensei. Não podia perder essa chance e caprichei na mentira.

- Ele vendia... privadas. E todo a variedade de utensílios sanitários. Vendia pro Joey. Pra toda a galera do rock. Meu avô vendia pros Beatles. Reza a lenda que meus ancestrais vendiam para Bethoven, mas acho que ISSO é exagero.
- Calma, deixa eu ver se entendi: seu pai vende privadas pra rock stars?
- Foi a grande sacada do meu pai quando a gente viveu em New York. Chama "Rock-Toilett" a empresa dele.
- Isso é TÃO mentira.
- Não, não é! Daí o Joey aparecia lá na loja e...
- Ok, ok. Esse é xaveco MAIS MENTIROSO DO MUNDO. Mas eu, sei lá... enfim, eu também tenho uma banda que toca Ramones. Toma aqui o folder. Vai ver a gente amanhã.


Chegou a vez dela na fila, ela pagou, deu um sorriso para mim e foi embora.

- O meu nome é Patrícia. A gente se fala melhor lá.

(Continua...)


Oba, oba.

Saudades daqui. Tenho novidades para contar, amanhã volto aqui com uma delas.

Mas como prometido anteriormente pelo João, publico aqui o endereço dos profiles que fizemos no orkut para vocês manterem contato conosco e tal e coisa e patatí patatá:

João Eduardo e Max Surita no orkut.

É isso aí. Adicionem, façam testemunhos emocionados e mandem flechas de coração... esse treco parece promissor!

Fiquem legais! Até!


Terça-feira, Setembro 26, 2006


Me disseram que você estava chorando.. e foi então que percebi, como lhe quero tanto. Legião Urbana - Quase sem querer



Depois eu explico.

* * * * *

Vou criar um orkut, só para adicionar leitores e leitoras do Tempo Perdido. O motivo de ter um orkut próprio só pra isso é pra tentar continuar mantendo em "segredo" a existência do blog, já que nenhum dos meus amigos ou conhecidos sabem de sua existência. Brevemente postarei o link aqui.
Gosto muito de saber quem visita, se você vem por aqui, deixe um recado..

João Eduardo l 6:20 PM l

Sábado, Setembro 23, 2006


If I could, you know I would just hold your hand.. and you'd understand, i'm the man who loves you Wilco - I'm the man who loves you

E eu ia contar a história da minha ida à vidente, mas antes eu..

Ok, "enrolations no more", vou contar a história da vidente. Antes que eu me esqueça.

Era uma segunda como outra qualquer na vida de João Eduardo.

05:00 - Saio da internet, como alguma coisa e vou pra cama dormir.
06:00 - Estou no meio de um sonho sexual, e acordo com